domingo, 8 de janeiro de 2012

Era esperança disfarçada da falta dela.

Era o bar de sempre a cerveja de sempre mas o amor, era o do ano passado. Fomos falando sobre isso sobre aquilo, com naturalidade de quem fala sobre isso ou sobre aquilo, sem maiores danos. Mas um cinismo quase imperceptível pairava sobre a gente, era minucioso demais para ser notado, mas não por mim, que sou desligada de quase tudo, menos das minuciosidades. Era esperança disfarçada da falta dela. Até que você falou uma coisa que seria só uma coisa para qualquer outra pessoa que ouvisse, mas para mim foi como se alguém furasse meu coração com um garfo e senti o sangue escorrendo por dentro me alagando, me alastrando e me afogando. Morri na sua frente embora gesticulando sobre isso ou aquilo, com minha regata linda de seda pura, meu perfume preferido e com os cabelos hidratados.
Mas nessa hora me ocorreu te matar também, não por vingança, mas porque percebi que embora estivesse morrendo na sua frente, você sequer tinha percebido. Seria injusto só um de nós sobreviver.
Com a frieza de assassinos pedimos mais uma cerveja e celebramos com naturalidade a falta de esperança, a esta altura estampada na nossa cara. Já não era mais necessário disfarçar. Morri por você e te matei por mim. Saimos dali e continuamos vivos, cada um no seu mundo. O que achei bastante Justo.