quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Florence

Vivo numa contradição tão profunda que se mergulhasse nela seria necessário um escafandro, para ir lá bem para o fundo e ainda conseguir voltar. Voltar a tona e respirar de novo o tão confortável ar do raso superficial.
Mas aí vem a Florence e canta tão lindo, tão lindo e eu tenho vontade de ficar mergulhada no profundo , porque é só lá que me encontro de verdade num contato esclarecedor, ainda que dolorido sobre todas as coisas. Mas logo volto porque além de estar protegida pelo escafandro imaginário , preciso do superficial para acordar, sorrir, brigar e viver meu desespero quase infantil do querer tudo e tanto.
Pára Florence, eu preciso voltar . O profundo é tão lindo como você cantando, mas o rasinho é mais seguro porque é ele que paga minhas contas, meus vestidos, minhas viagens e me faz querer mais e mais.
Sem o profundo eu não compreenderia nada disso, ele me esclarece, enquanto o raso me distrai.
Tá, canta só mais um pouquinho então? Porque é sério, preciso mesmo voltar, embora eu quisesse muito ficar.


No ipod: Florence and the Machine. Minha nova obsessão. ( musical)
Na bolsa: Um escafandro imaginário para mergulhos esporádicos (e um rivotril,claro!).